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sábado, 20 de junho de 2009

desejo

Desejo Desejo a você, fruto do mato, cheiro de jardim, namoro no portão, domingo sem chuva, segunda sem mau humor, sábado com seu amor, filme do Carlitos, chope com amigos, crônica de Rubem Braga, viver sem inimigos, filme antigo na TV, ter uma pessoa especial, e que ela goste de você, música de Tom com letra de Chico, frango caipira em pensão do interior, ouvir uma palavra amável, ter uma surpresa agradável, ver a banda passar, noite de lua cheia, rever uma velha amizade, ter fé em Deus, não ter que ouvir a palavra "não", nem nunca, nem jamais adeus. Rir como criança, ouvir canto de passarinho, sarar de resfriado, escrever um poema de amor que nunca será rasgado, formar um par ideal, tomar banho de cachoeira, pegar um bronzeado legal, aprender uma nova canção, esperar alguém na estação, queijo com goiabada, pôr-do-sol na roça, uma festa, um violão, uma seresta, recordar um amor antigo, ter um ombro sempre amigo, bater palmas de alegria, uma tarde amena, calçar um velho chinelo, sentar numa velha poltrona, ouvir a chuva no telhado, vinho branco, bolero de Ravel... e muito carinho meu! Carlos Drummond de Andradre

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Carlos Drummond de Andrade

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos,na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional. Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos,na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional. Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade
(...) Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou,
um pouco
nos muros zangados,
nas folhas,
mudas, que sobem. Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido,
flor branca,f
icou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato. (...) E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória. ]

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